Terça-feira, Janeiro 03, 2012

Da época

De hoje em diante, as poucas prendas que receberei, todas assim.
Leonard Cohen
«Show me the place».

Sexta-feira, Dezembro 23, 2011

O Natal e a tua box

- ... E amanhã já é 23.
- Pois, 23 e de Dezembro.
- Este Dezembro não é como aqueles que já foram... cada vez são mais diferentes.
- Ora, isso poderia ser uma definição de «vida», chegamos ao destino sempre diferentes do que quando começamos o caminho. É, ou não é?
- ... O Natal... não gosto deste, também ele é diferente.
- O caminho natalício estreita-se cada vez mais.
- Será.
- Crescemos na ordem inversa ao encanto natalício.
- O Natal dá-me tempo...
- Que vais fazer com ele?
- Esvaziar a box da televisão.
- Vais dar tempo por espaço na box.
- 25 à noite.
- Chegamos, é aqui.

Quarta-feira, Dezembro 07, 2011

A vida começa às 19:45h

Sempre assim foi.
Desde cedo aprendi que poucas são as certezas que, felizmente, temos na vida. Nada tenho contra as certezas absolutas - pelo contrário sou um grande apreciador das mesmas - no entanto, invariavelmente, envolvem uma perda relativa da qual não sou nada admirador.
A morte, pois. Os impostos, sim, esses mafarricos de todos os tempos.
Mas, se há certezas nesta vida pela quais nutro especial simpatia são as 19:45h. Em bom rigor, é do conhecimento geral que a morte é inevitável - o leitor mais distraído que me desculpe -, os impostos são o destino tributivo ao qual não é possível fugir - excepto caso o leitor tenha a felicidade de nascer em Portugal... ou na Colômbia, bem neste caso é altamente provável que, mesmo escapando ao regime contributivo, até esteja a contribuir para a riqueza do seu país com verdejantes plantações - e, finalmente, a Liga dos Campeões é às 19:45h.

É, garanto-lhe. Nunca, mas mesmo nunca, repito nunca, ouviram, ouvem ou ouvirão alguém questionar a que horas é um determinado jogo a uma quarta-feira. É do domínio do sagrado.

Estou em condições de afiançar mesmo que as 19:45h têm em mim aquele efeito que as 00:00h do dia 25 de Dezembro tem em muita criançada. A ansiedade é semelhante, a espera pode ser irritante, mas tal como a 25 de Dezembro, as 19:45h de uma qualquer quarta-feira são deveras recompensadoras.
Três coisas: morte, impostos e Liga dos Campeões às 19:45h. Experimentem, nunca falha. Mas, atenção, façam-no numa determinada ordem que permita comprovar a veracidade dos factos, não é aconselhável começarem pela primeira certeza.

Têm aqui um bom conselheiro, vão por mim.

Quarta-feira, Setembro 28, 2011

Gostava que tudo fosse diferente

A frase, ou melhor o desabafo, não é meu. Longe disso!
A minha peremptória negação relativa à atribuição de responsabilidades em tal locução nada tem que ver com qualquer ausência de consciência pesada. Aliás, pelo contrário, se a minha consciência tivesse autonomia plena, certamente já se teria emancipado pelo mau uso que lhe dou.Todavia, afirmo com toda a consciência que tenho, que não é muita por sinal, que o referido desabafo tem outro protagonista que não eu.

Uma funcionária de uma operadora de telemóveis, após várias tentativas - todas frustradas - em convencer-me a alterar o meu tarifário livre para um tarifário que é «quase-livre», nas palavras dela, termina um dos vários telefonemas com o já mencionado desabafo «Gostava que tudo fosse diferente». Na verdade é um desafogo para qual não estamos habituados em semelhantes contextos e que, perante tal, embaraça qualquer mortal. Eu não sendo perene fiquei naturalmente embaraçado e, simultaneamente, feliz. Não fazendo disto um objectivo de vida, sempre almejei ouvir a dita frase como uma libertação de arrependimentos sem fim. Por norma, sou sempre eu que me arrependo e isso é extremamente aborrecido.

A minha consciência não gosta nada, mesmo.


Já a fechar a chamada telefónica e logo após a esta libertação de sentimentos da funcionária, só me ocorreu «Pois, imagino. Mas, eu gostava de manter o meu tarifário actual, pode ser?».

Óptimo.

Domingo, Agosto 28, 2011

Não paga imposto

Mas devia.
Se a qualidade literária de alguns livros pagasse imposto, este livro certamente teria uma das taxas mais elevadas do mercado.

«O livro dos Homens sem luz», João Tordo.

Se há histórias nunca antes contadas, elas encontram lugar neste livro.